Obesidade

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no corpo e está associada a inúmeros problemas de saúde. Apesar de ser influenciada por fatores genéticos, a obesidade é reflexo direto dos hábitos e circunstâncias da vida moderna, principalmente a ausência de atividade física regular e a alimentação de alto valor calórico, sem qualidade nutricional.

A obesidade traz consigo várias doenças como o diabetes, a hipertensão arterial, problemas de coração, problemas nas articulações e apnéia do sono entre outras. Aumenta ainda a mortalidade e o risco de vários tipos de câncer.

Tratamento

A primeira opção para o se livrar do excesso de peso é o chamado tratamento clínico, que inclui dieta, exercícios, medicação e acompanhamento do endocrinologista e do nutricionista.

Nos casos em que a obesidade traz prejuízos à saúde e o tratamento clínico se mostra ineficaz, o tratamento cirúrgico deve ser considerado.

Cirurgia bariátrica

A cirurgia bariátrica, também conhecida como cirurgia da obesidade, cirurgia metabólica ou, mais popularmente, redução de estômago, reúne técnicas com respaldo científico destinadas ao tratamento da obesidade e das doenças associadas ao excesso de gordura corporal ou agravadas por ele. O conceito metabólico foi incorporado pela importância que a cirurgia adquiriu no tratamento das comorbidades, principalmente  no diabetes e na hipertensão.

Os benefícios da cirurgia bariátrica são perda de peso, remissão das doenças associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão, diminuição do risco de mortalidade, aumento da longevidade e melhoria na qualidade de vida.

Os riscos são os mesmos de outras cirurgias abdominais, por isso deve ser feita em hospital com estrutura adequada e por médicos especialistas.

Vale lembrar, porém, que apesar dos inúmeros benefícios, a cirurgia bariátrica é apenas o primeiro passo de uma jornada rumo a uma vida saudável.

O paciente precisará passar por uma mudança de hábitos, abandonando antigos costumes nocivos e adotando uma forma de vida mais saudável, que inclui dieta equilibrada e prática de exercícios.

Indicações para Cirurgia

A cirurgia da obesidade é indicada para pacientes que se encaixam em parâmetros determinados pelo Índice de Massa Corporal (IMC), que é calculado dividindo-se o peso em quilogramas pela altura em metros ao quadrado. Indica-se tratamento cirúrgico aos pacientes com IMC:

  • acima de 40;
  • entre 35 e 40 na presença de doenças associadas (hipertensão arterial, diabetes tipo 2, apnéia do sono, osteopatias, dislipidemia, etc…).

Não há restrições em relação à idade, para pessoas entre 18 e 65 anos. Em adolescentes e idosos, considerados casos de exceção, recomenda-se uma avaliação detalhada feita pelo cirurgião e por uma equipe multidisciplinar. A família deve acompanhar o paciente durante todo o período, especialmente na recuperação.

Diversos estudos no Brasil e no exterior têm comprovado ainda o benefício da cirurgia bariátrica para pessoas com IMC entre 30 e 35 na presença de diabetes. Pacientes nessas condições podem ser operados em casos especiais, sempre acompanhados por um endocrinologista.

Faixas de IMC Categoria
Menor que 16 Magreza severa
De 16 a 18,5: Magreza moderada
De 18,5 a 25 Peso normal
De 25 a 30 Sobrepeso
De 30 a 35 Obesidade Grau I
De 35 a 40: Obesidade Grau II
Mais de 40 Obesidade Grau III

Tipos de cirurgias

São aprovadas no Brasil quatro técnicas diferentes de cirurgia bariátrica: bypass gástrico, gastrectomia vertical, banda gástrica ajustável e duodenal switch. Todas podem ser feitos por videolaparoscopia, menos invasivas e mais confortáveis para o paciente.

Banda gástrica ajustável

Criada em 1984 e trazida ao Brasil em 1996, a banda gástrica ajustável quase não é mais realizada no país. Instala-se anel de silicone inflável ajustável ao redor do estômago, que aperta mais ou menos o órgão tornando possível controlar o esvaziamento do alimento.

O anel é ligado a um botão que fica embaixo da pele e pode ser alcançado por uma agulha de injeção. Assim, é possível injetar água destilada para apertar mais o estômago ou esvaziá-lo para aliviar a obstrução. Pouco utilizada devido resultados insatisfatórios.

Duodenal switch

É a associação entre gastrectomia vertical e desvio intestinal, em que 85% do estômago são retirados, porém a anatomia básica do órgão e sua fisiologia de esvaziamento são mantidas.

O desvio intestinal reduz a absorção dos nutrientes, levando ao emagrecimento. A técnica foi criada em 1978, corresponde a 5% dos procedimentos e leva à perda de 40 a 50% do peso inicial.

Bypass gástrico (gastroplastia com desvio intestinal em “Y de Roux”)

Estudado desde a década de 60, o bypass gástrico é a técnica bariátrica mais praticada no Brasil, correspondendo a 75% das cirurgias realizadas, devido sua segurança e, principalmente, eficácia: perde-se de 40 a 45% do peso inicial.

Nesse procedimento misto, é feito o grampeamento de parte do estômago, reduzindo o espaço para o alimento, e um desvio do intestino inicial, que promove o aumento de hormônios que dão saciedade e diminuem a fome.

Essa somatória entre menor ingestão de alimentos e aumento da saciedade é o que leva ao emagrecimento, além de controlar o diabetes e outras doenças como a hipertensão arterial.

Gastrectomia vertical (Sleeve)

Nesse procedimento o estômago é transformado em um tubo, com capacidade de 80 a 100 ml. Essa intervenção provoca boa perda de peso, comparável à do bypass gástrico. É um procedimento praticado desde o início dos anos 2000.

Tem boa eficácia sobre o controle da hipertensão e colesterol. Existe ainda alguma controvérsia se esse é um método tão eficaz quanto o bypass gástrico ou o duodenal switch em relação ao controle do diabetes, mas de maneira geral, é uma operação mais simples tecnicamente que o bypass e diversos estudos nacionais e internacionais mostram resultados promissores.

Antes, Durante e Depois

Atualmente a cirurgia bariátrica é procedimento bastante seguro e que além da perda de peso e melhora das doenças associadas, leva a melhora na qualidade de vida e redução da mortalidade.

Pré-Operatório

O preparo pré-operatório otimiza a segurança e os resultados da cirurgia bariátrica. É pedido ao paciente que se esforce para perder um pouco de peso antes da cirurgia, pois alguns quilos a menos podem oferecer melhores condições à anestesia geral e à operação.

No pré operatório, o paciente deve realizar uma série de exames como endoscopia digestiva, ultrassom abdominal e exames de sangue, além de passar em consulta com todos os profissionais da equipe multidisciplinar (cirurgião, nutricionista, psicóloga ou psiquiatra, endocrinologista e cardiologista).

A Cirurgia

Na operação por laparoscopia são realizadas de cinco a sete furinhos. Insufla-se a cavidade abdominal com gás carbônico, criando assim espaço dentro dela para que o cirurgião possa trabalhar com o auxilio de uma videocâmera, instrumentos e grampeadores especiais.

A cirurgia leva de 1h a 2 h, em média, e o paciente recebe alta em 36 horas. Na cirurgia aberta, o tempo estimado é de 2h a 3h e o paciente fica cerca de três dias internado.

Pós-Operatório

O paciente deve fazer consultas e exames periódicos no pós operatório. Além das consultas com o cirurgião, o acompanhamento com o endocrinologista, a nutricionista e a psicóloga são fundamentais para o sucesso do tratamento.

Nas operações realizadas por videolaparoscopia, o período pós-operatório costuma ser tranquilo, com pequeno desconforto nos locais das incisões. É muito importante salientar que a dieta líquida deve ser seguida rigorosamente nos primeiros dias. Após esse período, haverá nova orientação nutricional com evolução da dieta. Em decorrência da restrição gástrica, mínimas quantidades de alimento várias vezes ao dia são suficientes para gerar saciedade plena.

Apesar de raras, hoje em dia, cirurgia pode gerar complicações como infecção, tromboses, deiscências (separações) de suturas, fístulas (desprendimento do grampos), obstrução intestinal, hérnia no local do corte, abscessos (infecções internas) e pneumonia.

Alguns pacientes podem necessitar de cirurgias plásticas após a cirurgia bariátrica para remoção do excesso de pele. Nesse caso, as plásticas são consideradas cirurgias reparadoras, não estéticas.